terça-feira, 8 de maio de 2012

2º Médio - O mito da caverna


“... pois os homens começam e começaram sempre a filosofar movidos pelo espanto (...). Aquele que se coloca uma dificuldade e se espanta reconhece sua própria ignorância. (...) De sorte que, se filosofaram, foi para fugir da ignorância”.
Aristóteles

Conhece-te a ti mesmo

Há 23 séculos, na Grécia Antiga, na cidade dos Delfos, um ateniense vai ao santuário do deus Apolo consultar o oráculo. Muitos diziam que este ateniense era um sábio e ele desejava saber o que significava ser um sábio e se ele poderia ser chamado de sábio. O oráculo, que era uma mulher, perguntou-lhe: “O que você sabe?”. Ele respondeu: “Só sei que nada sei”. Ao que o oráculo disse: “Este é o mais sábio de todos os homens, pois é o único que sabe que não sabe”. Estamos falando de Sócrates, o patrono da filosofia.
Sócrates jamais se contentou com as opiniões estabelecidas, com os preconceitos de sua sociedade, com as crenças inquestionadas de seus conterrâneos. Andava pelas ruas de Atenas fazendo aos atenienses algumas perguntas: “O que é isso em que você acredita?”, “O que é isso o que você está dizendo?”, “O que é isso que você está fazendo?”. A pergunta “O que é” era o questionamento sobre a realidade essencial e profunda de uma coisa para além das aparências e contra as aparências. Com essa pergunta, Sócrates levava os atenienses a descobrir a diferença ente parecer e ser, entre mera crença ou opinião e verdade.

O mito da caverna

Platão (427-347 a.C.) foi o mais famoso discípulo de Sócrates. Fundou, em Atenas, uma escola filosófica chamada Academia. O mito da caverna tem o objetivo de ilustrar como a maioria das pessoas vive com um véu sobre seus olhos, o que possibilita apenas uma visão distorcida e incompleta sobre coisas como a verdade e a beleza. Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do Sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas sombras dos outros e de si mesmos porque estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam projetadas como sombras nas paredes o fundo da caverna. Os prisioneiros tomam essas sombras por realidade.
Um dos prisioneiros fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões e sai da caverna. Seu primeiro impulso é o de retornar para livrar-se da dor e do espanto, atraído pela escuridão, que lhe parece mais acolhedora. Além disso, precisa aprender a ver e esse aprendizado é doloroso, fazendo-o desejar a caverna onde tudo lhe é familiar e conhecido. Finalmente, acostuma-se com a luz e começa a ver o mundo. Com pena dos demais prisioneiros, resolve voltar ao subterrâneo sombrio para contar-lhes o que viu e convence-los a se libertarem também. No entanto, no retorno, os demais prisioneiros não acreditam em suas palavras e, se não conseguem silenciá-lo com suas caçoadas, tentam fazê-lo espancando-o. Se mesmo assim ele teima em afirmar o que viu e os convida a sair da caverna, certamente acabam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns podem ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidir sair da caverna rumo à realidade.
Referências:
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 4 ed., Ática, 1995.

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